O que muda quando se está livre do vício

Ex-residentes falam da experiência na CRAVI
28/03/2008

Duas pessoas que trabalham hoje na Casa de Recuperação Água da Vida já passaram pela comunidade como residentes. Por interesse deles mesmos, escreveram testemunhos sobre sua experiência de vida anterior e posterior a passagem pela instituição. Confira a história destes dois homens!

“Meu nome é Hélio! tive uma infância regular até meus 13 anos quando ainda morava no sitio com os meus pais , a minha família era grande porém com poucos recursos, minha mãe com problemas sérios de saúde veio a falecer no ano de 1991, no mesmo ano vim para Curitiba morar com os meus irmãos. Comecei então à viver uma vida totalmente diferente, com amigos novos e influenciado por um ritmo diferente de vida, eu um adolescente louco para viver, dava meus primeiros passos no mundo das drogas.

Há cada passo que dava aprofundava-me mais e mais em um caminho aonde muitas vezes não tem volta, além do tempo perdido fiquei sem dignidade sem moral e sem respeito perante a sociedade, troquei várias vezes o colégio pela bagunça, foram sete anos de pura ilusão, e quando eu comecei à tentar parar, pois eu não estava mais suportando aquela vida sem sentido, percebi então que não conseguia com as minhas próprias forças.

Um dia comprei um adesivo de uma casa de recuperação! A CRAVI! Me informei sobre a entidade e decidi iniciar um tratamento de nove meses, foi aí que comecei a experimentar algo que somente tinha ouvido a falar: ter JESUS CRISTO na minha vida, e eu me apaixonei por ele e aceitei de todo o meu coração.

Hoje eu trabalho na administração da entidade que um dia me acolheu, já fazem oito anos de uma transformação incrível na minha vida aonde já tive algumas experiências com Deus. Algumas vezes encontro pessoas que antes me conheciam e elas me falam hoje ‘nossa como você mudou’, e eu respondo que a solução tem apenas cinco letras JESUS”.

“Minha história nem sempre foi de tristezas, derrotas e perdas. Por muitos anos de minha vida meu caminhar era tranqüilo, enfrentava as dificuldades com coragem ciente da necessidade de aprender, crescer, viver.

Minha família era funcional e devidamente estruturada, meus pais proporcionaram-me uma vida digna, ensinando valores morais e religiosos fundamentais para um convívio social conveniente.

Meu grupo de amigos da adolescência começou a usar drogas, porém inicialmente apesar de conviver com os mesmos, não senti vontade de usar tinha uma opinião contrária com relação às drogas, no entanto por curiosidade e até pressão do grupo comecei a fumar maconha e posteriormente ingerir bebida alcoólica.

No começo era fácil conviver com a droga, não matava aula, passei no vestibular da Federal, treinava futebol, namorava, enfim tinha uma vida normal e... parecia que tudo ia bem.

Triste engano, com o passar do tempo, toda tristeza, raiva ou decepção resolvia-se com o uso de alguma substância psicoativa, parei de buscar o verdadeiro conhecimento, o prazer inicial causado pela droga, o qual era pouco, passou a dar lugar à perda, dor e principalmente depressão.

Neste ponto a maconha não proporcionava tantas viagens compensadoras, passei a usar cocaína e utilizava bebida alcoólica com mais freqüência, haxixe e cogumelos também fizeram parte deste receituário da morte.

No entanto a depressão só aumentava, o vício embora não admitisse, fazia parte da minha vida. Casado com uma mulher maravilhosa e pai de três filhos lindos, havia uma necessidade imensa e imprescindível de mudar de vida, retornar a viver, reconciliar-se com Deus, enfim ter uma vida que valesse a pena ser vivida.

Conheci a Cravi – Comunidade Terapêutica Água da Vida, através de um ex-residente, foi difícil aceitar um tratamento, sempre achei que poderia livrar-se do vício sozinho, que dependência química era para casos mais graves, não para mim, pensava irracionalmente: afinal trabalhava, fazia as coisas “certas”, tinha uma vida social e etc.

Mas felizmente para mim e minha família, tive a devida consciência do problema precisava sim de ajuda, este era o momento o chamado de Deus em minha vida, resolvi “encarar” o tratamento proposto pela Cravi.

O apoio da minha família foi fundamental, também a igreja a qual freqüento tem sido um porto seguro em todos os momentos difíceis, sei porem que cabe a cada pessoa decidir ter uma vida digna, enfrentar as dificuldades e através da força que vem do alto crescer, viver.

Agradeço a toda Comunidade Craviana esta maravilhosa oportunidade de uma nova vida e deixo finalmente uma simples mais importante mensagem:

Viver é uma dádiva de Deus e seu amor nos faz caminhar seguros, pois com Cristo somos mais que vencedores.
Grato,
Ederaldo”.
 

n